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A caçada da PF

Na manhã de 2 de setembro de 2016, uma sexta-feira, o agente penitenciário federal Alex Belarmino Almeida Silva, 36, dirigia um Golf em direção ao presídio de segurança máxima de Catanduvas (PR) quando um Crossfox cinza, de placas clonadas, emparelhou. A ação foi tão rápida que Belarmino não conseguiu acionar a pistola que levava entre as pernas. De 18 tiros disparados, nove o atingiram: nas costas, no braço, no rosto e duas vezes na cabeça.

Desgovernado, o carro do agente atingiu uma camionete Silverado que vinha no sentido contrário. Os assassinos fugiram e, pouco depois, incendiaram o Crossfox na zona rural de Tupãssi, a 48 km.

Belarmino morava em Brasília e havia chegado ao Paraná para uma curta missão de cinco dias no presídio de Catanduvas, um curso de treinamento. Ele dava aulas de armamento e tiro na Espen, a escola de formação do Depen (Departamento Penitenciário Nacional), órgão hoje vinculado ao Ministério da Segurança Pública.

“Ele era muito conhecido, muito querido por todos e era um dos destaques no Depen. Era uma referência”, disse o presidente do sindicato da categoria no DF, Euclenes Pereira da Silva.

Belarmino deixou mulher e duas filhas, de nove e seis anos de idade. Não era alvo direto de ameaças. Ele não sabia que havia uma ordem do grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital), segundo a polícia, nas figuras de Roberto Soriano, o “Tiriça”, e Claudemir Guabiraba, o “André Jr.”, para matar um agente do Depen. Qualquer um.

Aquela manhã encerrou de forma brutal a carreira de dez anos de Belarmino no Depen e, ao mesmo tempo, deu início a uma intensa caçada da Polícia Federal. A operação envolveu centenas de exames de DNA, coletas de vestígios, análise de dezenas de horas de vídeo, cruzamento de dados e recuperação de imagens de telefones celulares, localização e prisão de suspeitos e uma delação premiada.

O trabalho da perícia da PF foi escolhido como modelo para uma apresentação em congresso nacional realizado pela Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais em Foz do Iguaçu (PR), em maio.

Logo no início do inquérito, a PF voltou sua atenção para um sobrado alugado ao lado da casa ocupada por Belarmino, que havia sido emprestada a ele por uma colega que estava em missão em Brasília. Foi essa coincidência, segundo a PF, que colocou Belarmino na mira dos assassinos.

A PF concluiu que os criminosos passaram semanas levantando endereços e acompanhando alguns agentes na ida e volta de Catanduvas, atrás de um que pudesse ser morto ao chegar ou sair do emprego. Quando Belarmino, vindo de Brasília, ocupou a casa ao lado do imóvel em que estavam, tornou-se um alvo fácil. As duas casas são separadas por apenas uma parede.

O dono do sobrado disse que alugou o imóvel para dois homens que não conhecia. Eles pagaram adiantado e disseram ser vendedores de produtos veterinários. Logo após o crime, sumiram do sobrado.

Analisando uma série de imagens captadas por câmeras de rua e radares de trânsito, a PF chegou a alguns carros usados pelos ex-moradores. Um Santana estava em nome de um irmão de André Demiciano Messias, o “Estrela”.

Na casa da mulher dele, a PF apreendeu um papel indicando que Messias havia sido “batizado” pelo PCC no dia 4 de janeiro de 2014 na Penitenciária Estadual II de Foz do Iguaçu. Um de seus “padrinhos” se chamava “Sanguinário”.

O sobrado foi vistoriado pelos peritos da PF. Ali recolheram 231 vestígios diversos, como bitucas de cigarro em uma churrasqueira, um maço de cigarros, fios de cabelo, latas de cerveja e até um palito de dentes usado.

Esse foi até então o maior volume de vestígios enviados de uma só vez ao Laboratório de Genética Forense do INC (Instituto Nacional de Criminalística) da PF, em Brasília.

Segundo um dos 12 peritos que trabalharam no caso pelo Nutec (Núcleo Técnico-Científico) da delegacia da PF de Foz do Iguaçu, o normal seriam 30 amostras ao mês, enquanto daquela vez remeteram para Brasília 231 amostras recolhidas apenas do sobrado alugado, que deram origem a 400 amostras diferentes.

Amostras dos vestígios foram comparadas com o DNA recolhido na saliva dos suspeitos, que àquela altura já haviam sido presos preventivamente. Havia indícios da participação dos presos, mas ainda não provas materiais.

A primeira conclusão foi que havia muitos DNAs misturados. A PF descobriu que os membros do PCC, antes de saírem da casa, chamaram moradores de rua para comerem e beberem, possivelmente para prejudicar uma perícia.

Mesmo assim, o laboratório deu ótimas notícias. De 20 pessoas que passaram pelo imóvel, em seis houve “match”, quando a amostra dá positivo para o DNA de um suspeito.

No gargalo de uma garrafa, por exemplo, o laboratório identificou o DNA de Luis Marcelo Schneider, o “Pupi”, 20. Numa escova de dentes, apareceu o DNA de Hugo Aparecido da Silva, o “Barrabás”.

A PF havia achado no celular de “Pupi” fotos de objetos semelhantes a armas envoltas em fita adesiva. Na casa de uma mulher ligada ao PCC, a PF havia encontrado uma foto em que Alessandro Pereira de Souza, o “Alemão”, aparece fazendo pose com um fuzil e duas pistolas, armas que teriam sido usadas no crime.

A análise dos celulares revelou aos peritos uma filmagem feita por Messias. Ele havia filmado, sem querer, um número de chassi em uma das janelas que se provou ser do mesmo Santana usado na vigilância aos agentes do Depen.

A PF também contou com o depoimento de um delator no grupo. Ele disse que a ordem para matar um agente penitenciário partiu de Soriano e foi assinada por Guabiraba.

Com o assassinato, líderes do PCC pretendiam como “único objetivo demonstrar poder, disseminar o medo, intimidar e acuar não apenas o sistema penitenciário federal, mas o próprio Estado”, apontou, em relatório final anexado ao processo, o delegado da PF que presidiu o inquérito, Lucas Amorim Ferreira.

O delator declarou ter participado de pelo menos quatro reuniões em Cascavel em que se discutiu o plano do PCC.

Quando da prisão dos acusados, a PF gravou um deles, Douglas Cielo, 27, se dizendo espantado com os investigadores, numa conversa com outro suspeito: “Eles têm tudo. Era um mapa desse tamanho, o cara só fez isso no computador dele assim [simula abertura do mapa]. De repente era a mesma coisa de eu estar olhando assim, parecia câmera ao vivo do bagulho, entendeu? O cara joga data, joga hora, joga as coisas lá, o cara tem acesso. Via satélite. Os programa dos cara é tudo avançadão. Hoje nós tá virando o quê, um Big Brother”.

Em abril, a Justiça Federal de Cascavel decretou a prisão preventiva de 13 réus e emitiu a sentença de pronúncia de todos, o que significa que o juiz encontrou indícios suficientes para levá-los a um tribunal de júri, em data a ser marcada.

Em homenagem ao agente assassinado, agentes do Depen batizaram o estande de tiro da penitenciária federal de Porto Velho (RO) de “Professor Alex Belarmino”.

Fonte: Folhapress, por Saga Policial

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