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Carta Aberta aos Policiais do Brasil

Artigo – Carta Aberta aos Policiais do Brasil – Há apenas uma coisa mais absurda do que um helicóptero ser derrubado por criminosos ou policiais serem assassinados às centenas por bandidos: não haver uma reação completa e organizada a esse mal.

20/11/2016 – Saga Policial – por Filipe Bezerra*

“Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.”

Edmund Burk

Há apenas uma coisa mais absurda do que um helicóptero ser derrubado por criminosos ou policiais serem assassinados às centenas por bandidos: não haver uma reação completa e organizada a esse mal.

E quando se fala em reação não se trata tão somente à reação bélica imediata à agressão (coisa já é feita na maioria dos casos). Os atuais ataques à policiais perpetrados por criminosos comuns ou pelo crime organizado são apenas um sintoma, não a doença. A cultura de subversão de valores que glamorizou o crime, promoveu a impunidade e criminalizou a atividade policial é a grande responsável pelo atual estado de coisas. Ela não apenas incutiu na mentalidade do marginal que ele é um injustiçado social( dando-lhe quase o “direito a delinquir”), como também promoveu a demonização do policial e o desmonte jurídico e político de sua atividade.

Quando uma categoria profissional é atacada a reação é imediata. Quando a PEC 37 ameaçou tirar o poder de investigação do Ministério Público em 2013 os membros do parquet estadual e federal reagiram de forma uníssona. Suas associações foram à imprensa e se manifestaram publicamente CONTRA tal medida. Quando se cogitou o chamado “crime de hermenêutica” no projeto de lei sobre abuso de autoridade (PLS 280/2016) todas as associações de magistrados reagiram. Houve abaixo-assinados, manifestações na mídia e no espaço político. A mesma coisa acontece quanto se ataca interesses de médicos, engenheiros, advogados e etc.

Quando se ataca a polícia nada disso é visto. Observamos inertes enquanto ONGs e políticos alinhados aos “injustiçados sociais” atacaram o Auto de Resistência. Ficamos mudos quando veio a “Audiência de Custódia” com a “boa intenção” de agilizar o processo penal, e hoje já está suficientemente clara a sua real intenção: ser promotora da famigerada política de desencarceramento que deixa livres bandidos perigosos que continuam livres e soltos pra assaltar e matar( como o caso do assaltante que matou o Policial Rodoviário Federal ontem à noite em Fortaleza. Ele já respondia por pelo menos dois homicídios e dois assaltos à mão armada). Considerável parte da mídia tem uma clara pauta antipolicial e aparenta atuar na prática como relações públicas de bandidos, sempre se apressando a condenar qualquer ação policial e usar toda a sorte de eufemismos para proteger bandidos.

Perdidos entre demandas meramente classistas, disputas institucionais de poder e divisões internas os policiais brasileiros são presas fáceis do politicamente correto por serem incapazes de se unir. Parece que estão eternamente condenados a expiar os pecados do Regime Militar e por isso simplesmente não reagem à injusta e sistemática campanha de desmoralização pública. Retratados como heróis nas séries televisivas dos anos 80 hoje são demonizados como corruptos e psicopatas em praticamente todas as produções culturais. A promoção da chamada policiofobia foi a responsável por fazer a sociedade não demonstrar nenhuma empatia em relação ao assassinato de seus protetores como acontece em qualquer país civilizado, onde a população sai as ruas para protestar e as autoridades lamentam publicamente o fato. O Brasil é o país onde o policial parece ser um ente alienígena, que não pertence nem ao estado, nem à sociedade.

Mas como cobrar solidariedade e defesa da sociedade se nos negamos a combater culturalmente nossos detratores? Nada acontece no âmbito social se não for precedido no âmbito cultural. Enquanto a cultura antipolicial avançou, sem resistência, nas casas legislativas e judiciárias, redações de jornais e universidades (a ponto de uma estudante PM ser expulsa da sala de aula por sua farda “agredir” os presentes) nos últimos anos nada foi feito de forma organizada para contrapor esse mal.

Ou os policiais de todas as forças se unem, deixando todas as diferenças de lado, e lutam juntos contra esse caos – não só com armas de fogo, mas também com canetas, microfones e passeatas – e trazem a sociedade a reboque ou tudo estará perdido. É preciso que se preparem pessoas que sejam multiplicadores da cultural policial em todos os âmbitos. Policiais precisam ocupar papel de protagonistas no âmbito da segurança pública publicando livros, escrevendo artigos, participando maciçamente das discussões legislativas fazendo do contraponto cultural uma verdadeira guerra de chão: ocupado culturalmente casa por casa, quarteirão por quarteirão para recuperar o terreno perdido.

Se continuarmos achando que o crime só se combate com o bico do fuzil, seremos aniquilados. Somos um milhão de operadores de segurança pública. Temos uma força enorme e somos naturalmente formadores de opinião.

Chegou a hora de exigir respeito não só boicotando os veículos de (des)informação, entidades e pessoas que atuam na prática como relações públicas de bandidos como também restaurando o bom senso através da participação ativa da guerra cultural por corações e mentes, eliminando, de uma vez por todas, o espiral do silêncio que nos encurralou.

*Filipe Bezerra (colunista Saga Policial) é Policial Rodoviário Federal, Bacharel em Direito pela UFRN, Pós-Graduado em Ciências Penais pela UNIDERP e bacharelando em Administração Pública pela UFRN.

Fonte: Saga Policial

 

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8 respostas para “Carta Aberta aos Policiais do Brasil”

  1. Charles Holanda disse:

    Excelente ponto de vista, parabéns, belo artigo!

  2. Waldomiro disse:

    Quando vcs se encontram em apuros de ameaça fisica, patrimonial etc.!!!? Vcs gritam “Ligue para o 190, chame. POLÍCIA urgente”… Waldomiro Neves Moreira – Aposentado, à favor da classe Policiais.

  3. Bruno Zava disse:

    Parabéns, Filipe Bezerra! Como sempre, muito preciso e feliz nos seus artigos.

  4. JOSE ELZO ANTONIO disse:

    Excelente manifesto analisado com propriedade e conhecimento de causa e do caus que se intalou e continua se encorpando no seio da sociedade brasileira.

    Verdade :
    “Para que o mal triunfe, basta que os bons não façam nada.”

    Edmund Burk

    As pessoas de bem devem sim, participar ativamente para que essa cultura nefasta seja dissipada e aniquilada. Ou seremos eternamente as vitimas silenciosas e encurraladas sob eufemismo protecionista dos agressores sociais, citados na carta acima, com a midia protetera dos marginais, proporcionando a aniquilacao da seguranca, da protecao do cidadao de bem e da sociedade brasileira.
    A seguranca publica deve ser para o bem estar e protecao do cidadao bem e a justica para o agressor social. A inversao de valores e a garantia da convulsao social.

  5. Diego Antunes disse:

    Artigo sensacional. Parabéns.
    Acredito que, principalmente, os militares, que são os que mais sofrem repressão, têm que fazer uma revolução frente a esse absurdo que vem acontecendo no país. Não é possível que uma nação veja que os seus heróis estão indo mais cedo e por razões tão absurdas, e o pior é ver que os gestores estão de braços cruzados só enchendo os bolsos de dinheiro. Chega a ser um absurdo tudo que está acontecendo neste país, a total inversão de valores onde o imoral é aplaudido e o moral é criminalizado. BASTA.

  6. Wanderson disse:

    Muito bom texto. Esta na hora de mudar esse contexto.

  7. Douglas COt disse:

    A REVOLUÇÃO DAS POLÍCIAS JÁ COMEÇOU!

  8. ares polis disse:

    É uma lastima, não sabemos oque realmente querem, exigem segurança, falam que a segurança publica e dever do estado para todo cidadão da sociedade, mas será que o ser humano investido no cargo e representante legal do estado é valorizado pelo ente federativo?, claro que não isso nunca vai acontecer pois há interesse politico, financeiro dentro das instituções publicas , enquanto o ser humano for corrupto ele nunca ira se policiar, justiça? onde? legislação fraca feita por antigos coroneis politicos que diga de passagem nunca foram em uma cazerna para ver como é hierarquia e disciplina hastear a bandeira as 6 da manha, realmente uma lastima, a valorização do policial se faz com uma boa aplicação da lei ao bandido de todas as classes, o policial não é só apenas oque coloca uma pistola e um distintivo e sim um cidadão que não fecha os olhos para o erro e se policia fazendo o melhor para sociedade e principalmente valorizando quem acorda cedo todos os dias sem saber se vai voltar pra casa em uma guerra sem fim. sociedade burra legislação fraca quem paga todos nós, forças nobres policiais quem nunca se vendem por mixaria.

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