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A segurança pública no futuro

Sem informações precisas sobre as ocorrências criminais, é praticamente impossível planejar de maneira eficaz a distribuição do efetivo.

30/07/2016 – Por Ilona Szabó / Florencia Robalinho*

O mundo experimenta uma revolução quando se trata do uso da tecnologia na segurança pública. O colossal volume de dados gerados por dispositivos digitais, aplicativos de monitoramento e sistemas que possibilitam a visualização geográfica de manchas criminais são exemplos de ferramentas já usadas com alto potencial de modernização do enfrentamento e da prevenção da violência. Nem todas as partes do mundo vivenciam tal transformação com a mesma agilidade, no entanto. Em alguns lugares, como no Rio de Janeiro, ela vem ocorrendo de maneira mais branda.

Para colocar em perspectiva tais avanços, é importante lembrar que a elaboração de políticas de segurança pública eficientes e de longo prazo precisa fundamentar-se em dados e evidências de qualidade. Isso porque já ficou comprovado que o crime e a violência se concentram em períodos de tempo, espaços e indivíduos específicos. Sem informações precisas sobre as ocorrências criminais, é praticamente impossível planejar de maneira eficaz a distribuição do efetivo, ou mesmo identificar padrões criminais e antecipar riscos futuros.

Examinemos o caso do Estado do Rio em particular. As estatísticas e análises sobre criminalidade são construídas a partir dos registros de ocorrência feitos em delegacias da Polícia Civil passados ao Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria de Segurança. Então, as informações são agrupadas em cerca de 40 tipos de delitos e integradas em divisões territoriais adotadas pela mencionada pasta. Para que ocorra a divulgação dos dados, até um mês se passa. Não é imediata tampouco a chegada das informações aos cerca de 50 mil policiais militares a quem elas servem de precioso insumo para o trabalho hercúleo no estado, que registrou cinco mil homicídios ano passado. A lacuna de tempo no processamento dificulta, sobretudo, que os órgãos de segurança sejam capazes de prever crimes que podem ser evitados.

A boa notícia é que uma nova ferramenta de análise criminal, lançada em fase piloto este mês, marcará um progresso significativo no caminho para uma abordagem mais eficaz e transparente. A plataforma ISPGeo, baseada na identificação de manchas criminais (também chamadas de hotspots), integra distintas bases de dados em um só mapa. Avança especialmente em relação aos seguintes pontos: a qualidade e o padrão de coleta dos dados, o georreferenciamento dos crimes e a visualização de áreas com maior concentração de incidentes, e o enfoque em informações chave, em vez de números aleatórios. A solução tecnológica é fruto de uma soma de forças de Estado, terceiro setor e empresários com espírito público. Em um momento de austeridade, possibilita uma alocação mais ágil e eficaz de recursos.

Fica claro que a segurança do Rio está aprimorando suas capacidades de análise criminal e, aos poucos, se integrando à transformação tecnológica global em curso. Antes da nova plataforma, a Secretaria de Segurança já havia implantado o Sistema Integrado de Metas e Acompanhamento de Resultados (SIM), fortalecendo a prevenção e o controle qualificados de crimes.

Embora necessários e celebrados, esses avanços ainda são insuficientes. As soluções tecnológicas precisam continuar integrando o trabalho das duas polícias e virem acompanhadas de melhorias no treinamento das forças de segurança, da consolidação de uma liderança estratégica, além da continuidade das ações. Assim, de fato, estará configurada uma real revolução.

*Ilona Szabó de Carvalho é diretora-executiva do Instituto Igarapé e Florencia F. B. Robalinho é coordenadora de desenvolvimento institucional da mesma instituição

Fonte: Opinão OGLOBO

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